Se você está pensando em começar a aprender mandarim, mas não tem a menor de ideia por onde começar, esse post é para você!

Aqui você verá qual é a melhor estratégia para dar início ao seu aprendizado dessa língua tão fascinante que é o mandarim. Vamos dizer que você tem quatro possíveis caminhos a seguir para essa jornada. Qual você escolhe?

  1. começar escrevendo os ideogramas
  2. imitar um chinês falando até falar igual
  3. olhar um texto em chinês e copiar os ideogramas
  4. aprender a escrever com letras latinas

Se você respondeu que sua estratégia inicial será “aprender a escrever usando letras latinas”, parabéns! É isso mesmo que você acabou de ler! A primeira coisa mais importante ao aprender chinês é saber escrever os ideogramas com letras latinas.

Espere aí, os ideogramas não são formas muito importantes do sistema de escrita da língua chinesa? Por que aprender a escrever “errado”? A resposta é: sim, eles são super importantes! Mas não se engane pensando que os chineses escrevem apenas em ideogramas.

Assim como nós, eles também aprendem desde muito cedo a escrever em letras latinas, assimilando-as sempre a um determinado som do idioma deles. Se você já pensou porque o chinês tem dificuldade para pronunciar o rrrrrr do português, este é um fonema que simplesmente não existe em mandarim.

Do mesmo modo, os chineses também usam sons que os brasileiros simplesmente não conhecem. Apesar das diferenças, o caminho é o mesmo. Ou seja, ao dar o passo inicial no mandarim, o importante é procurar entender e praticar os sons como se você estivesse começando a sua alfabetização em uma escola da China.

Outro motivo para começar pelo pīnyīn, que é o nome dado ao sistema fonético que cria correspondência entre o chinês e as letras latinas, é que inicialmente você não precisará se preocupar com os ideogramas e isso vai te ajudar a criar confiança para superar a barreira inicial de entendimento do idioma. Depois, aí sim, é hora de ver os ideogramas.

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Bom, vamos então entender um pouco mais sobre o pīnyīn?

Curiosamente, foi apenas no século 20 que a China passou a desenvolver um sistema de correspondência fonético para incluir o alfabeto latino. Com a influência crescente das culturas ocidentais, países asiáticos criaram maneiras de se corresponder com o uso de um novo alfabeto, usando letras. E foi o caso do pīnyīn na China. Mais tarde, a tecnologia mostrou que a criação destes modos de correspondência também seria útil para digitar palavras no teclado do computador. Além disso, os chineses também criaram softwares para escrever ideogramas como se usassem um pincel, sem a necessidade de usar o abecedário, apenas usando o mouse ou os dedos.

Os chineses já haviam elaborado um conjunto de padrões fonéticos com mais de 30 sinais para facilitar a aproximação com as línguas estrangeiras no início da década de 1910. Esse padrão fonético ficou conhecido como zhùyīn e usava formatos dos ideogramas chineses para se corresponder com o alfabeto latino. O zhùyīn foi utilizado no continente durante cerca de 40 anos e ainda é recorrente em Taiwan.

Na China Continental, o pīnyīn foi estabelecido como método oficial de romanização do mandarim durante a década de 1950. Literalmente significa “som soletrado” e as palavras escritas em pīnyīn têm estes símbolos sobre as letras porque, caso contrário, não seria possível ilustrar as peculiaridades dos fonemas chineses em letras latinas.

Ainda está me acompanhando? 🙂

Vamos conhecer agora o “alfabeto chinês”?

Uma dúvida muito frequente é se na língua chinesa existe algum alfabeto como no português. Se levarmos em conta os ideogramas chineses, a resposta é “não”. Se levarmos em conta o pīnyīn, a resposta é “sim”. Ficou confuso?

Bom, muita gente pensa que o pīnyīn serve para que os estrangeiros possam ler em chinês a partir de símbolos conhecidos. Porém, apesar de ser usado para o ensino do idioma dentro e fora da China, o alfabeto do pīnyīn não faz correspondência aos sons do inglês ou português. Ele foi criado levando em conta as necessidades dos chineses. Portanto, ao estudar a língua chinesa é essencial ter cuidado para não ler as letras do pīnyīn com os sons do português, pois como vimos antes  em ambas as línguas há sons que não existem uma na outra.

Então, como será que funciona o alfabeto do pīnyīn?

A montagem é simples. Cada som do pīnyīn corresponde a um ideograma e é formado por letras iniciais e finais. As iniciais sempre aparecem, claro, no início das sílabas e são formadas por consoantes. Já as finais são equivalentes às nossas vogais e sempre aparecem no final das sílabas. Como foi dito há pouco, a leitura do pīnyīn exige pronúncias diferentes do que seria no Brasil.

A pronúncia de ch, por exemplo, não é igual ao som de xis‛ que conhecemos do português brasileiro. Nem o r corresponde ao rrrrr ou a r de rato ou ao rr dobrado como falamos no Brasil.

É preciso prestar atenção às orientações do professor e perceber os novos sons apresentados para descobrir e melhor maneira de poder imitá-los. Como a língua é um músculo, é preciso descobrir a posição em que você pode reproduzir determinado som para ficar fiel ao que deve ser entendido como mandarim.

Vamos para um exemplo para ficar mais claro:

aprender mandarim

No exemplo acima, temos o caractere chinês 电 (em amarelo) que significa “eletricidade” e sua transcrição fonética em pīnyīn é “diàn”. A inicial dessa palavra é “d”, enquanto sua final é “ian”. Note que em cor verde ( ` ) está o tom da palavra, que indica o modo em que ela deverá ser pronunciada.

Mas, o que será que são os tons na língua chinesa?

Assim como outros idiomas asiáticos, a língua chinesa é uma língua tonal e a mudança do tom em uma determinada sílaba leva a significados distintos. Mas espera aí, o que é uma língua tonal? O que é essa mudança de tom? Será que existe em português?

Sim, existe em português, mas em menor escala, como nas frases a seguir:

(Leia em voz alta para perceber a diferença)

– Tudo bem?
– Tudo bem.

Podemos perceber que o “bem” na primeira e segunda frase se difere por suas respectivas entonações, onde a primeira é ascendente, e a segunda, descendente. Essa pequena diferença não implicou em significados totalmente distintos, apenas distinguiu a sentença interrogativa da afirmativa.

Do mesmo modo, quando estamos chamando alguém em voz alta ou estamos bravos e exaltados, a entonação no português está mais para a mudança do sentimento do que o significado da palavra.

Vamos para mais um exemplo:

Imagine que você está em seu quarto e sua mãe lá da cozinha lhe chama para pedir um favor. Imaginou? Lembrou-se da entonação que ela geralmente utiliza para lhe chamar? Agora imagine que você derrubou sem querer o conjunto de pratos preferidos dela e os escondeu em algum lugar da casa, mas infelizmente ela os achou e imediatamente está te chamando para exigir explicações. Imaginou? Pois é! As entonações utilizadas nesses dois exemplos mudaram apenas o sentimento, mas não o significado.

Como foi dito anteriormente, em mandarim, quando se muda o tom de uma palavra, muda-se totalmente o seu significado. Isto é, uma mesma sílaba pronunciada de maneiras diferentes têm significados diferentes. O mandarim possui quatro tons principais, ou seja, quatro formas de ler uma mesma sílaba. Todos eles são representados por sinais gráficos que ficam acima das letras do pīnyīn (finalmente descobrimos o que são esses símbolos!). Eles são representados da seguinte maneira:

01 Clube de Chinês

Portanto, a palavra 电 “diàn” (eletricidade) que vimos anteriormente está no quarto tom. É válido ressaltar que esses símbolos que representam os tons nunca estão sozinhos. Eles sempre acompanham as letras finais no pīnyīn, indicando a exata pronúncia de cada sílaba.

A tabela a seguir nos mostra quatro palavras com a mesma sílaba “ma”, mas todas com tons diferentes sobre o pīnyīn, além de ideogramas e significados distintos:

02 Clube de Chinês

Na prática, significa bastante treinamento e momentos engraçados, porque cedo ou tarde você vai tentar falar uma palavra e soltar outra sem querer, mudando o sentido. Mas, como em todo idioma, basta treinar e perceber como a língua evolui com o tempo. É como andar de bicicleta. Uma vez que você se equilibra, dificilmente cai outra vez!

E aí? Conseguiu entender como dar os seus primeiros passos para estudar chinês? Se você ainda está na dúvida sobre estudar esse idioma tão fantástico, confira aqui também o porquê é fácil aprender chinês!

Ah! Aproveite para se inscrever no Clube de Chinês, nosso canal no YouTube com muito conteúdo sobre a língua chinesa.

Até a próxima!
再见!

Kenji Takada
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Kenji Takada

Brasileiro, descendente de japoneses. Graduado em Letras pela UNESP, no Brasil, bolsista em chinês na Universidade de Hubei, na China.

Este post tem 2 comentários

  1. O artigo foi maravilhoso

    Escrever em si é relativamente simples principalmente se for simplificado

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