O que são os ideogramas chineses?

Aprender e entender os ideogramas chineses é sem dúvida alguma uma das melhores formas de compreender mais sobre a história e cultura da China.

E eles não são impossíveis de serem desvendados como muitas pessoas pensam.

Vamos ver um exemplo?

ideogramas chineses

O ideograma 女 significa mulher e como podemos ver ele passou por muitas transformações até chegar a sua forma atual.

Se juntarmos esse ideograma que significa mulher com o ideograma que representa “teto”, teremos a seguinte formação:

+ =

?

mulher teto

O que será que significa “mulher + teto”?

Curso Gratuito de Mandarim

Pense nos tempos remotos, há milhares de anos. A mulher permanecia dentro de casa cuidando de sua família e assim estava protegida. Qual o sentimento que pode estar envolvido nesta situação?

Isso mesmo! Era a segurança, a tranquilidade.

Exemplos como esse são comuns na língua chinesa, de modo que aprender a escrita muitas vezes envolve compreender algum aspecto cultural.

Também leva a reimaginar o raciocínio dos primeiros habitantes que começaram a desenvolver um sistema de escrita na história da China.

Tudo isso começou com um povo que esculpiu histórias sagradas no casco de uma tartaruga há muito tempo atrás.

É o primeiro registro de um estilo de ideograma sobre o qual se tem conhecimento na China.

O registro faz parte de uma coleção de 4500 símbolos marcados em cascos de tartaruga e ossos de animais durante a Dinastia Yin, isso lá nos anos de 1600-1047 a.C.

Veja abaixo o ideograma “sol”:

ideogramas chineses

Do mesmo modo em que as outras línguas passaram por várias evoluções e reformas, no chinês também ocorreram algumas transformações.

Em alguns casos as mudanças foram realmente grandes. Em outros, o formato dos ideogramas chineses não mudou muito desde o seu surgimento.

E o legal de aprender a escrever é que, às vezes, principalmente no início, os traços imitam objetos reais.

Portanto, reconhecer e entender os ideogramas é muito mais fácil do que você imaginava!

E já temos aqui também a resposta para aquela famosa pergunta: “todos aqueles símbolos tem algum significado?”.

É claro que sim! Todos possuem uma ideia, transmitem um significado para quem os vê.

Alguns serão mais fáceis e simples de interpretar, outros vão exigir um nível maior de abstração e muitos passaram por mudanças ao longo do tempo que alteraram completamente seu formato original.

Mas cada um esconde um segredo a se descobrir.

ideogramas chineses

Agora, se todos os ideogramas chineses transmitem uma ideia, qual é a diferença entre o alfabeto do português e os ideogramas utilizados na China?

Enquanto o nosso alfabeto combina letras latinas isoladas para formar uma palavra, a escrita chinesa utiliza símbolos que já possuem um significado próprio, ou seja, são unidades que não precisam ser combinadas com outras para formar um sentido.

Vamos exemplificar?

Em português se escrevermos apenas “s” não teremos nenhuma palavra, certo?

Agora, se combinarmos ela com as letras “o” e “l” formaremos a palavra “sol”. É através desse processo de combinação de vogais e consoantes que construímos as palavras de nossa língua escrita.

Ou seja, o reconhecimento das palavras revela não apenas os sons, mas também os seus significados.

Por sua vez, os ideogramas fazem o caminho inverso. O leitor reconhece primeiro o seu significado que está associado à escrita, e depois passa a conhecer a pronúncia das palavras de sua língua.

Por exemplo, “sol” em chinês é representado pelo ideograma 日 e sua pronúncia é “rì”.

Como esse ideograma já carrega em si o seu significado, não há a necessidade de combiná-lo com outros para formar uma ideia. Simples assim.

Falando assim temos a impressão de que os ideogramas chineses são uma realidade totalmente distante da nossa, mas saiba que não são! Em nosso dia a dia lidamos com alguns deles também: os números.

Eles são formas de escrita de um sistema ideográfico: quando escrevemos 4, 8 ou 10 sabemos que esses símbolos estão associados a uma quantia, e com isso podemos dizer os sons relacionados a eles: “quatro”, “oito” e “dez” respectivamente.

Se existem tantos ideogramas que representam uma ideia, será que é necessário saber milhares deles? E com isso os chineses levam a vida toda para aprender a escrever?

Bom, o idioma clássico chinês reúne cerca de 50 mil ideogramas, mas este número não deve lhe preocupar, pois o conhecimento de símbolos antigos é assunto para doutores em Literatura chinesa.

Ou seja, os chineses aprendem a escrever durante o período da escola, assim como nós aqui no Brasil. Só quem estuda Literatura é que continua em um grande processo de aprendizado de ideogramas.

Nos tempos modernos, calcula-se que entre 10 e 20 mil ideogramas estão em uso. Mas, será que é necessário aprender tudo? Eles são usados diariamente?

A boa notícia para o iniciante em mandarim é que não é preciso decorar tudo isso para conseguir se comunicar bem.

Na China contemporânea, cerca de 3,5 mil ideogramas satisfazem a necessidade de leitura geral.

Melhor ainda: dominar 1 mil símbolos já é o bastante para ler mais de 90% do conteúdo de jornais ou revistas, conversar por mensagens de texto e, claro, bater papo no dia a dia.

A diferença dos ideogramas simplificados e tradicionais

Uma dúvida muito comum do estudante que acaba de começar na língua chinesa envolve os ideogramas simplificados e tradicionais.

Afinal, esses dois termos são utilizados para designar os dois tipos de escrita que existem dos ideogramas chineses. Mas fique calmo porque não é um bicho de sete cabeças! Na verdade é bem simples.

Como vimos anteriormente, na China, além do mandarim, há muitos dialetos.

Apesar de todos eles serem falados de formas bem diferentes, eles compartilham de um mesmo sistema de escrita: os ideogramas chineses, que são conhecidos também como 汉字 hànzì.

Porém, depois das várias mudanças de caligrafia ao longo dos anos, os hànzì foram simplificados na China Continental na década de 1950, após uma grande reforma, realizada justamente para “simplificar” os traços e fazer com que mais pessoas pudessem aprender a escrever.

Com isso, passaram a existir dois padrões desse sistema de escrita: os já mencionados “chinês simplificado” e “chinês tradicional”.

Enquanto o chinês simplificado é utilizado na China Continental e o chinês tradicional é utilizado em Hong Kong, Macau e Taiwan.

A principal diferença entre essas duas categorias reside na quantidade de traços dos ideogramas: o chinês tradicional possui mais traços e estruturas mais complexas se comparados ao chinês simplificado.

Confira na tabela a seguir:Captura de tela 2020 10 09 162647 Clube de Chinês

Se a sua preocupação é aprender os dois sistemas, fique tranquilo.

No Clube de Chinês da Pula Muralha você aprenderá o chinês simplificado, pois é o padrão utilizado por toda China Continental.

Além disso, ambas as formas muitas vezes se aproximam, de maneira que, se você souber escrever algo em chinês simplificado, provavelmente poderá ler a forma tradicional, mais detalhada, e vice-versa.

Se você pensa em começar aprender chinês, mas não sabe por onde começar, recomendo você dar uma olhadinha aqui.

Aproveite também para se inscrever em nosso canal Clube de Chinês, onde publicamos conteúdo toda semana!

Até a próxima!

再见!

Kenji Takada
Curso Gratuito de Mandarim

Kenji Takada

Brasileiro, descendente de japoneses. Graduado em Letras pela UNESP, no Brasil, bolsista em chinês na Universidade de Hubei, na China.

Deixe uma resposta