É melhor aprender chinês ou mandarim?
Qual as diferenças entre chinês e mandarim? Devo estudar chinês ou mandarim?
Você sabe quais são as diferenças entre essas duas palavras? Nós te explicamos!
Geralmente quando nos referimos a uma língua, pensamos em um povo, em toda uma nação. Por exemplo, na França se fala francês, os italianos falam italiano e na Inglaterra se fala inglês. Então, seguindo essa mesma lógica, na China se fala chinês, certo? Na verdade, na China também se fala mandarim! Mas, o que é “mandarim”?
Esse termo surgiu pelos portugueses no século XVI, que, ao conhecerem políticos chineses, passaram a se referir ao “chinês diferente” falado por eles com o termo “mandarim”.
A palavra “mandarim”, no original, se fala 官话 (guān huà).
A primeira sílaba, 官 (guān), significa “político” e 话 (huà) significa “palavra”. Ou seja, “mandarim” são as palavras que os políticos falavam.
Mas, será que no palácio em que viviam foi desenvolvida uma língua só dos políticos? Na verdade não.
Naquela época, da Dinastia Ming, a capital ficava ao norte da China, em Pequim. Ou seja, o 官话 (guān huà) é baseado no chinês do norte. Ainda nos dias de hoje, ao viajar para o norte da China você com certeza ouvirá pessoas falando dialetos parecidos com o mandarim que aprendemos.
Mas peraí! Talvez você esteja se perguntando:
1) O que são esses dialetos?
2) Onde fica o “chinês” nessa história?
Como diz o ditado do sábio Confúcio: “Uma imagem vale mais que mil palavras”:

No infográfico acima, podemos ver as línguas mais faladas no mundo distribuídas em diversos países.
Tomando como base o número de falantes nativos, o chinês é o idioma mais falado no mundo.
Dentro da área ocupada pelo chinês, podemos perceber que ele é composto por diversos dialetos e línguas, incluindo o mandarim.
Ambos os termos, “chinês” e “mandarim”, são utilizados frequentemente como sinônimos, mas há uma pequena diferença: o termo “chinês” se refere à todas as línguas existentes dentro da China.
Ou seja, é como se todas as línguas da China fossem colocadas em um grande pacote chamado “chinês”.
Cerca de 70% da população chinesa fala mandarim e outros 30% falam dialetos.
Antes de explicar sobre os dialetos, é importante ter em mente que a situação linguística encontrada na China é um pouco diferente da existe no Brasil.
Enquanto no Brasil um gaúcho consegue se comunicar com um cearense sem muitas dificuldades, na China, uma pessoa do sul certamente não entenderá a língua de uma pessoa do norte.
Isso se deve ao fato de que povos de regiões distintas da China falam línguas muitas vezes incompreensíveis um para o outro.
São os conhecidos dialetos, que revelam a origem de um chinês dentro de seu próprio país.
Atualmente existem 56 grupos étnicos reconhecidos pelo governo da China, conhecidos também como 民族 (mín zú), sendo 91% dessa população pertencente à etnia Hàn.
Mas, o que são grupos étnicos? Por sua definição, são vários conjuntos de pessoas que formam a Humanidade e que são responsáveis pelas notáveis diferenças entre os seres humanos, não só por traços físicos, mas também a nível cultural.
Ou seja, dentro da China, em virtude dessa diversidade, cada povo possui a sua própria língua, os seus próprios costumes e tradições.
Com o intuito de evitar esses conflitos linguísticos no país, a preocupação em criar um idioma padronizado surgiu pela primeira vez no fim da Dinastia Tang (618 a 907 d.C.).
O “mandarim” que conhecemos nos dias de hoje foi estabelecido como língua oficial da China nos anos de 1950.
Portanto, quando um estrangeiro aprende chinês, na verdade, aprende mandarim.
Sendo a língua de ensino em todas as instituições escolares e falado por toda a China Continental e Taiwan, o mandarim é requisito não só para situações formais, mas também é a língua oficialmente utilizada em trabalhos de órgãos governamentais, programas de rádio e televisão, etc.
Ou seja, é a língua que permite a comunicação entre um chinês do norte e um do sul.
Porém, em situações informais, tais como encontros familiares e reuniões entre amigos, os dialetos são amplamente utilizados.
Dito de outra maneira, eles coexistem com a “língua padrão”, sendo muito comum casos em que chineses falam tanto o dialeto de sua região de origem quanto o mandarim.

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再见!

Kenji Takada 高田
Professor de mandarim com mais de oito anos de experiência. Graduado em Letras (bacharelado e licenciatura) pela UNESP.